terça-feira, 16 junho , 2026

Noruega se recusa a perfurar poço bilionário de petróleo em prol do meio ambiente

O maior partido do parlamento norueguês chocou a indústria petrolífera do país, depois de retirar o apoio à perfuração exploratória das ilhas Lofoten, no Ártico, consideradas uma maravilha natural.

O movimento realizado pelo partido de oposição ao governo cria uma grande maioria parlamentar contra a exploração de petróleo na área costeira. A medida ilustra a crescente oposição ao combustível fóssil poluidor, que fez do país um dos mais ricos do mundo.

Atualmente, a Noruega bombeia mais de 1,6 milhão de barris de petróleo por dia em suas operações e está entre os 20 maiores produtores do mundo.

A maior produtora de petróleo da Noruega, a estatal Equinor ASA, afirmou que o acesso ao fornecimento de petróleo em Lofoten é essencial para o país manter os níveis de produção.

Acredita-se que exista de 1 a 3 bilhões de barris de petróleo abaixo do fundo do mar no arquipélago de Lofoten. A área vinha sendo blindada por anos pelo governo de coalizão da Noruega por meio de vários acordos políticos.

“Toda a indústria está surpresa e decepcionada”, disse o chefe da Associação Norueguesa de Petróleo e Gás, Karl Eirik Schjott-Pedersen, à Bloomberg.

Sindicatos do setor questionam decisão

A decisão do partido trabalhista, anunciada por seu líder, Jonas Gahr Store, expõe uma brecha na legenda. Enquanto a liderança tenta refletir as crescentes preocupações ambientais da população, o partido também quer acomodar os interesses dos sindicatos de trabalhadores da indústria petrolífera, seus principais apoiadores.

Store confirmou, porém, que o partido continuará a apoiar a indústria petrolífera, mas também disse que quer que as empresas do segmento se comprometam com um prazo para tornar todas as operações livres de emissões.

O maior sindicato de petróleo da Noruega, a Industry Energy, que há muito tempo é aliada do Partido Trabalhista, atacou a decisão sobre a perfuração em Lofoten, que ocorre menos de dois anos depois de um acordo interno do partido sobre o assunto.

“Isso cria desequilíbrios nas discussões sobre políticas para uma indústria que depende de uma perspectiva de longo prazo, e não podemos aceitar isso”, disse o líder do sindicato, Frode Alfheim, ao jornal australiano Sydney Morning Herald.

“Provavelmente, há muitas pessoas na indústria que estão se perguntando quem o partido realmente representa”, comenta o sindicalista.

A medida acontece depois que o governo da Noruega deu sinal verde na última sexta-feira para um fundo petrolífero de US$ 1 trilhão — o maior fundo soberano do mundo — para investir em projetos de energia renovável não listados nos mercados de ações.

A expectativa é que o investimento de bilhões de dólares sejam direcionados para projetos de energia eólica e solar.

Esta é a mais recente indicação de que a riqueza acumulada através de combustíveis fósseis está sendo redirecionada para lucros futuros em energia renovável. Um número maior de indústrias e países iniciaram estratégias de desinvestimento de combustíveis fósseis, citando riscos futuros para seus negócios e modelos econômicos.

No mês passado, o fundo petrolífero da Noruega disse que não iria mais investir em 134 companhias que exploram petróleo e gás, mas que reteria participações em grandes empresas petrolíferas, incluindo BP e Shell, que possuem divisões de energia renovável.

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